Quatro portugueses distinguidos em Paris

A Academia Internacional de Gastronomia, em Paris, atribuiu quatro prémios a quatro profissionais portugueses: o chef João Rodrigues, do Restaurante Altis Belém; o fotógrafo Jerónimo Heitor Coelho; “sommelier” Octávio Ferreira, do Restaurante Gambrinus e a Filipa Gomes, apresentadora do Programa «Prato do Dia».

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A João Rodrigues foi atribuído o prémio de «Chef de l’avenir» – Chef do futuro. João Rodrigues formou-se em cozinha e pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, tendo ganho o prémio de melhor aluno de cozinha. Entrou para o curso de Produção Alimentar na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Passou pelas cozinhas da Bica do Sapato, da Varanda do Hotel Ritz e do Pragma, do Casino de Lisboa. Em 2007 ganhou o concurso Chefe Cozinheiro do ano e integrou a equipa Nacional Olímpica de cozinha no “Wacs Mediterranean Challenge”, onde conseguiram duas medalhas de prata. É  atualmente o chefe executivo do Altis Belém Hotel & Spa.

A Jerónimo Heitor Coelho foi atribuído o «Prix de la Littérature Gastronomique» – Prémio de literatura gastronómica – pelo livro Comer em Évora, das edições Visual Factory. O seu trabalho tem merecido inúmeras distinções, nomeadamente a atribuição de vários certificados e distinções da QEP (Qualified European Photographer) e da Associação de Fotógrafos Profissionais (AFP). No ano de 2010 recebeu a distinção de Mestre Fotógrafo. Da sua obra destacam-se ainda as produções fotográficas do livro ‘Fios… e Desafios’ da APPACDM, em 2007, onde prestou o seu contributo no apoio a crianças com deficiência mental’; em 2008 o livro ‘Tribunal da Relação de Évora – Palácio de Barahona’ e a produção de banco de imagens para ARS Alentejo. Tem várias fotografias selecionadas para a coleção de honra da AFP e uma obra nomeada para os prémios Goya, em Espanha.

Octávio Ferreira recebeu o galardão de «Prix au Sommelier». Otávio Ferreira éo sommelier principal do Restaurant Gambrinus, em Lisboa. Uma vez concluída a sua formação na escola de Hotelaria do Porto, em 1973, passou por vários restaurantes no norte do país. Integra, desde 1979, a equipa de um dos mais reconhecidos e emblemáticos restaurantes de Lisboa, o Gambrinus. Porta o titulo de « Master of Porto » e obteve o quarto lugar nos concursos mundiais de “sommeliers” de 1986 e 1989. Foi presidente da associação de escanções de Portugal.
Filipa Gomes, apresentadora do Programa «Prato do Dia» do canal TV – 24 h Kitchen, recebeu o «Prix Multimedia» – Prémio Multimédia.

A Filipa Gomes iniciou-se na produção televisiva com o programa Prato do dia, no novo canal 24 Kitchen. É uma apaixonada pela cozinha saudável e simples, confecionada preferencialmente com recurso a produtos biológicos.
O «Grand Prix de L’art de la cuisine» foi atribuído aos Chefs Atex Atala, do Restaurante DOM, em São Paulo e Benoit Violier, do Hôtel de Ville, em Crissier.

Preconceitos associados a Portugal e à emigração debatidos em Paris

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O debate sobre os preconceitos associados a Portugal e à emigração, que teve lugar no café cultural Lusofolie’s, em Paris, teve como mote a apresentação do livro “Este país não existe. Textos contra ideias feitas”, da coleção do Le Monde Diplomatique e da Deriva Editores, “uma compilação de vários textos publicados nos últimos anos na edição portuguesa de Le Monde Diplomatique” em que “os autores procuram desconstruir os estereótipos” ligados à imagem de Portugal, explicou Victor Pereira.

No seu texto, “Portugalidade para exportação: emigração e comunidades portuguesas”, Victor Pereira falou sobre “o discurso hegemónico sobre a emigração portuguesa desde os anos 70″ que tende a “falar dos portugueses no estrangeiro – os tais cinco milhões – como uma comunidade”, esquecendo que “alguns nem sequer querem regressar a Portugal”.

É o caso de Baptista de Matos, que trabalhou 30 anos no metro de Paris e que cedeu vários documentos sobre a emigração portuguesa ao Museu da História da Imigração, em Paris.

“Com 80 anos, não consigo regressar a Portugal. A França deu-me uma coisa fantástica: a liberdade de expressão, de trabalhar, de amar. Aprendi a ser solidário, aprendi a ser português como Camões. Cinquenta anos depois, muitos não querem regressar a Portugal porque fomos muito bem tratados em França”, declarou Baptista de Matos que, em 1963, trocou a Batalha, em Portugal, por Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris.

Ex-conselheiro das comunidades portuguesas e presidente de honra da Associação de Fontenay-sous-Bois, perto de Paris, Baptista de Matos recordou que “em Champigny-sur-Marne, havia 15 mil portugueses nos bairros de lata” e muitos “não sabiam assinar o próprio nome” porque “foi a ditadura de Salazar que lhes fez isso”.

O moderador do debate Daniel Ribeiro, correspondente em Paris do jornal português Expresso e a viver em França há 35 anos, acrescentou que “a emigração é qualquer coisa crónica, uma marca essencial de Portugal desde há muitos anos”.

O perfil dos emigrantes tem mudado, de acordo com João Heitor, o diretor do Lusofolie’s, que disse que desde que abriu o café cultural vê “toda uma nova emigração, de jovens talentos, músicos, artistas, jornalistas, cientistas que procuram um porto de abrigo”.

Fonte: Lusa

Implementar um negócio: da ideia à oportunidade

MRBX-1FAI-5MTP-IM6WIdeias e ambições não chegam para implementar com sucesso um negócio. A pensar em todos os empreendedores que têm ideias e procuram implementar o seu projecto com sucesso, a Associação de Diplomados Portugueses em França (AGRAFr) vai organizar, no dia 28 de Março, um workshop intitulado « da ideia à oportunidade ».

As inscrições podem ser feitas até 6 de Março,  em : http://goo.gl/forms/v4SuoHgwko, e as vagas são limitadas a 20 pessoas.

Os participantes serão escolhidos mediante o interesse projecto apresentado na inscrição.

O evento vai decorrer no Consulado de Portugal em Paris, instituição parceira da iniciativa.

Tugabox: para os emigrantes com saudades de Portugal

tugaboxO serviço Tugabox, que envia mensalmente uma caixa surpresa de produtos portugueses para consumidores no exterior, já chega a três países e espera ter mais de 100 subscritores até Julho. « Neste momento, já enviamos caixas para a Suíça, Reino Unido e Espanha », disse a fundadora, Rita Gomes à agência Lusa, confirmando que espera « chegar à centena de clientes no primeiro semestre de 2015. »

Cada caixa tem cinco a sete artigos, não só produtos alimentares, mas também artesanato ou produtos inovadores desenvolvidos por empresas portuguesas. « Os produtos são escolhidos pensando nos produtos com que os clientes cresceram, acrescentando alguns clássicos, produtos de que já nem se lembravam. Recentemente encontramos algumas ‘startups’ com novos produtos bastante interessantes e com quem estamos a trabalhar para contar com os seus produtos nas nossas caixas », explicou Rita Gomes.

No mês de Janeiro, por exemplo, a caixa incluía uma cápsula de chá, uma agenda para 2015, um « chutney » de maçã, pera e tomate, passas, pevides, tostas e azeitonas verdes. « É também uma forma de dar a conhecer a quem está fora novas empresas e artesãos », explica Rita. A técnica de marketing diz que « foi o aumento do número de pessoas a sair do país que motivou a criar a Tugabox. » « Muitos dos meus amigos têm optado por sair do mês e isso levou-nos a pensar em como lhes podíamos levar um bocadinho de Portugal », explica a empresária.

A ideia começou a tomar forma quando visitou um casal de amigos em Agosto do ano passado na China. « Um casal de amigos que vivia em Shanghai pediu-me para lhes levar alguns produtos portugueses. Eram coisas simples, mas que para quem está há três anos do outro lado do mundo valem muito: pão de Deus, bola de Berlim, bacalhau e azeite », lembra. No início do ano, quando voltou ao país, tornou a levar os mesmos produtos, mas acrescentou uma surpresa: um pacote de rebuçados Flocos de Neve. « A reacção foi fantástica, aquele pacote de rebuçados fez a felicidade daquelas pessoas e fez-me pensar em como levar aquela felicidade a mais pessoas », garante Rita, que concorreu com esta ideia ao concurso « Acredita Portugal« , tendo ficado no top 150.

Com o lema « Tugabox: a acabar com a saudade« , os clientes podem optar por uma subscrição mensal ou trimestral no site da empresa. Dentro da Europa, o serviço custa 31 euros por um mês e 81 euros por três meses. Neste momento, a empresa tem uma promoção que oferece a primeira caixa por vinte euros.

Fonte:Lusa

Investigador de Coimbra recebe 80 mil euros para estudar doença Machado-Joseph

Foto de Lusa

Foto de Lusa

O investigador Clévio Nóbrega, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) foi distinguido com 80 mil euros pela Associação Francesa contra Miopatias para estudar a doença de Machado-Joseph.

O projecto financiado pela Associação Francesa contra Miopatias (AFM) propõe-se investigar « o papel e relevância da proteína ‘ataxina-2’ nesta doença neurodegenerativa », revelou a UC, numa nota divulgada esta sexta-feira.

A doença de Machado-Joseph (DMJ) que é hereditária e não tem cura, é caracterizada pela « descoordenação motora, atrofia muscular e rigidez dos membros » e provoca « dificuldades na deglutição, fala e visão ». Nesta como em « quase todas as patologias neurodegenerativas, os mecanismos moleculares que conduzem à doença são complexos e variados », sublinha o investigador da UC agora distinguido.

« O nosso projecto coloca a hipótese de que a proteína ‘ataxina-2’, que apresenta uma função celular importante, se encontra reduzida na DMJ e especulamos que a reposição dos níveis desta proteína possa alterar a progressão da doença e até contribuir para uma melhoria da mesma », explica Clévio Nóbrega.

Com este projecto, que deverá ser desenvolvido nos próximos dois anos, « pretende-se validar um novo alvo molecular (‘ataxina-2’) que possa, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de terapias eficazes para a DMJ e doenças neurodegenerativas », acrescenta o investigador do CNC.

O estudo vai desenvolver-se no grupo de investigação liderado por Luís Pereira de Almeida, do CNC da UC, que, por sua vez, está inserido no Grupo de Vetores e Terapia Génica. A AFM, que é uma « associação francesa focada em doenças neuromusculares, composta por profissionais, voluntários, doentes e seus familiares », avalia e atribui financiamentos a « programas de investigação internacionais com qualidade ».

Fonte: Lusa

Enchido à base de chocolate? Sim, em Bragança já existe

Dois empreendedores de Mogadouro, no distrito de Bragança, resolveram transformar a tradicional alheira na ‘chocalheira’, um enchido feito à base de chocolate, que acabam de lançar no mercado nacional. Não temos fotografia para lhe mostrar, mas a ideia chega, com certeza, para lhe deixar ‘água da boca’.

Apesar de ser um enchido em forma da tradicional alheira transmontana, não leva carnes, sendo confecionado à base de chocolate preto, pão de trigo, mel, amêndoa, azeite, canela ou noz-moscada, entre outros ingredientes.

« O produto está registado como chocalheira, porque não podemos chamar ao enchido alheira de chocolate, por respeito ao produto original, que leva diversas carnes e pão « , disse à Lusa Eulália Dias, a mentora do projeto.

O desafio partiu de uma amiga e, depois de mais de um ano de experiências e a estragar muita matéria-prima, foi conseguido um produto do « tipo gourmet » e vai ser colocado em lojas da especialidade e em alguns restaurantes.

« Já temos contactos em lojas em cidades como Aveiro ou Lisboa e em Mogadouro vamos colocar à venda em dois ou três pontos. Não pretendemos espalhar muito o produto, porque nesta fase inicial podemos não dar resposta », acrescentou.

A produção é totalmente feita de forma tradicional, com cada ‘chocalheira’ enchida à mão.

« Nesta primeira fase vamos avançar com cinco mil quilos de chocalheira por ano e depois vamos evoluindo para quantidades maiores, visto que o produto, ainda está em fase experimental », disse Eulália Dias.

O produto teve a sua prova de fogo na Feira da Caça de Macedo de Cavaleiros e na Feira do Fumeiro de Vinhais, onde toda a produção foi vendida, frisou a promotora.

A ‘chocalheira’ é toda confecionada com produtos naturais sem corantes ou conservante, sendo igualmente, destinada a pessoas que tenham hábitos alimentares vegetarianos.

« Pegamos no alho, no pimento e na noz-moscada que são excelentes produtos naturais, e chocolate preto, que é menos doce », frisou.

O estudo nutricional está em curso tendo por base um quilo de pão. Após um ano de trabalho de várias experiências, « chegou-se à conclusão de que este enchido também se pode comer em cru », referiu.

A ‘chocalheira’ poderá ser degustada como entrada ou como sobremesa, ligando bem com frutas, vinho do porto ou vinho tinto maduro.

« Até ao momento, a opinião dos consumidores tem sido muito positiva », realçou José Lopes, também ele, um dos mentores deste projeto.

Numa segunda fase, os empreendedores pensam já em criar um projeto para uma cozinha tradicional onde serão igualmente confecionados outros produtos diferentes do habitual no ramo dos enchidos.

Até aqui, não houve ajudas de fundos comunitários ou outros, pelo que esta enfermeira e o engenheiro agrícola estão a levar o projeto para a frente « com capitais próprios ».

Fonte: Notícias ao minuto

ACIF convida empresários a participar em salão imobiliário e de turismo português em Paris

A ACIF-CCIM está a convidar os empresários a participarem na quarta ediçāo do ‘Le Salon de l’Immobilier et du Tourisme Portugais à Paris’, que decorrerá de 5 a 7 de junho de 2015, no parque de Exposições da Porte de Versailles, em Paris.

Tendo como público-alvo a comunidade lusófona radicada em França, particulares e empresários, estima-se em mais de 2,5 milhões dos quais 45 mil empresários, os franceses, particulares, interessados em investir em imobiliário fora de França (ênfase nos seniores e nos profissionais liberais), estimam-se em 15 milhões os seniores franceses, isto é, ¼ da população francesa, e os fundos de investimento imobiliário franceses, estimam-se em cerca de 40.

O tipo de expositores que podem se interessar em participar neste evento são os dos ramos di imobiliário, do turismo, construção, banca, serviços, gastronomia e atividades turísticas, podendo a participação em diversas modalidades de stand variar entre 3.466,08 euros (+ IVA) e 25.677,94 euros (+ IVA), embora para a área da gastronomia seja possível preços de 2.006,09 € (+ IVA) e de turismo a partir de 1.671,74 € (+ IVA).

logo_salao5Este evento é uma organização da CCIFP – Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa. A presença dos expositores nacionais está a ser organizada pela Associação Industrial de Portugal.

As inscrições efetuadas através da ACIF-CCIM serão submetidas ao ‘Intervir +’, cuja comparticipação poderá chegar aos 85% das despesas elegíveis.

As inscrições serão aceites por ordem de chegada, com data limite de 27 de fevereiro de 2015.

Fonte: DN

Dicas de francês – a negação

A negação simples: Tal como no português, na língua francesa, pode-se exprimir a recusa com apenas uma palavra: NON

– Tu veux un bonbon? Queres um bombom?

– Non, (merci). Não, (obrigado).

Já numa frase completa a negação consiste em pelo menos duas palavras:

ne…pas

ne…plus

ne…jamais

Exemplo:

-Il ne parle pas français. Ele não fala francês.

– Elle ne travaille plus. Ela já não trabalha.

Ne voyagez jamais seule dans le désert! Nunca viaje sozinha no deserto! (sozinha no feminino porque se fosse masculino seria seul)

– Je n‘ai pas de vélo. Eu não tenho bicicleta.

Um mês depois, Paris ainda lida com cicatrizes do terror

Cidade aparenta ter voltado à normalidade. Mas, um mês após atentado ao « Charlie Hebdo », soldados armados e discurso de receio nas ruas da capital francesa lembram que o país está em guerra contra o terrorismo.

Frankreich Monatstag Charlie Hebdo-Anschlag

As flores murcharam e grafites já encobrem muitos slogans « Je suis Charlie » que se espalharam pela capital francesa. Turistas contemplam a Catedral de Notre Dame e crianças gritam ao contornar a pista de patinação em frente à prefeitura da cidade. Um mês após a série de ataques em Paris, um senso de normalidade voltou à capital francesa.

No entanto, soldados com rifles de assalto patrulhando as ruas são um lembrete chocante de que a França está em guerra contra os extremistas, assim como relatos periódicos de novas prisões de suspeitos, cujos perfis não são muito diferentes dos agressores que mataram 17 pessoas durante uma série de atentados que teve início no dia 7 de janeiro, na redação da revista satírica Charlie Hebdo, e terminou dois dias depois num supermercado kosher. E, de acordo com último o relato, três soldados foram atacados esta semana enquanto patrulhavam, do lado de fora, um centro judaico da cidade de Nice, no sul do país.

« Para nós, foi uma grande surpresa o fato de termos sido atacados. Ao menos para mim isso foi uma grande surpresa, embora eu soubesse que estávamos sob ameaça », disse uma estudante universitária que preferiu ficar no anonimato. « Sinto-me tranquila vendo os militares. Mas acho que isso não é suficiente. »

« Um pouco assustado »

Em torno da Catedral de Notre Dame, turistas enfrentam um frio cortante enquanto esperam na fila para entrar na igreja. Apesar dos ataques, muitos dos operadores turísticos dizem não ter percebido nenhuma queda na demanda. Perguntadas se a segurança reforçada as faz sentir mais protegidas, no entanto, Janna e Alicia Casale, mãe e filha provenientes da Itália, balançaram positivamente a cabeça. « Estamos um pouco assustadas », afirmou Alicia. « Mas Paris é linda demais para ficar longe. »

Na Praça da República, no centro da capital francesa, onde milhares de pessoas se reuniram em manifestações pacíficas após os ataques, Madeleine Favre juntou-se a um punhado de transeuntes curiosos que olhavam as flores, murchas em sua maioria, e as mensagens de apoio às vítimas.

« É claro que isso pode acontecer em qualquer lugar », disse Favre, parisiense nativa que veio de visita do Canadá, onde mora. Aludindo aos ataques de outubro em Ottawa, ela acrescentou: « Trata-se somente de terrorismo, não tem nada a ver com o Islã. Mas é como vivemos agora. »

Frankreich Monatstag Charlie Hebdo-AnschlagSlogan se espalhou por todas as partes após os ataques

Mas Josefa Suarez, que chegou com uma rosa na mão, discorda. « Estamos sendo roubados, estamos sendo atacados. Essas pessoas não têm educação, elas deixam as crianças soltas por aí », alegou Suarez, uma espanhola que vive há 50 anos para Paris, referindo-se aos imigrantes muçulmanos da França. « O governo precisa reduzir a taxa de natalidade, dar-lhes alguma educação. »

Anos de violência

Esta não é a primeira vez que os franceses se sentem ameaçados. Durante a guerra civil na Argélia, na década de 1990, os rebeldes do Grupo Islâmico Armado praticaram uma série de atentados na França, incluindo a explosão de uma bomba num metrô de Paris, antiga sede do governo colonial, matando oito pessoas e ferindo 100.

Dez anos mais tarde, em 2005, a França era mais uma vez abalada por motins que se espalharam por subúrbios desfavorecidos – áreas pobres, hostis e cheias de imigrantes, combinação que as autoridades acreditam ser um terreno fértil para o extremismo.

Assim como fez em 2005, o governo anunciou agora uma série de medidas para combater a insegurança – do envio de mais de 10 mil soldados para patrulhar locais sensíveis a novas iniciativas com vista ao ensino do laicismo e dos valores republicanos nas escolas.

« Concordo que precisamos enfatizar a educação e a escola, transmitir valores de tolerância e respeito pelos outros », afirmou Sylvie, professora de uma escola secundária num subúrbio de Paris. « Mas », acrescentou a educadora, em alusão ao material extremista circulando na internet, « também precisamos ter cuidado em ensinar as crianças a lidar de forma mais crítica com toda a informação que estão recebendo. »

« França sem judeus não é a França »

Apesar das declarações governamentais, para pessoas de origem judaica, como Hervé Atlan, os tiroteios do mês passado apenas confirmam o sentimento de que a França não é mais um lugar seguro para viver. No ano passado, um número recorde de 7 mil judeus franceses emigraram para Israel por diferentes razões, embora alguns tenham mencionado o antissemitismo.

« O governo faz grandes declarações – que a França sem judeus não é a França – mas não se vê nenhuma ação », reclamou Atlan, que reside próximo ao supermercado onde Amedy Coulibaly matou quatro pessoas no mês passado. « Todos falam em ir embora, mas estamos ligados a este país. »

Frankreich Monatstag Charlie Hebdo-Anschlag

Soucot pensa em deixar a França « por diferentes razões. DR

No entanto, para o anestesista Alain Soucot, que olhava as vitrines esta semana ao longo das ruas estreitas do bairro histórico judeu, os tiroteios do mês passado marcaram um ponto de inflexão. « Honestamente, estou pensando em fazer o meu Aliyah », afirmou Soucot, usando uma palavra hebraica que alude à migração de judeus da diáspora para Israel. « Por diferentes motivos. Meu filho se mudou para Israel em setembro. Mas os recentes acontecimentos são um aviso de que precisamos estar preparados para ir. »

Os judeus, no entanto, não são os únicos preocupados. O motorista de caminhão Abdel Fatah, que ostenta uma barba de muçulmano devoto, disse também se sentir ameaçado. « A islamofobia é um problema », afirmou. « Basta ver a forma como eles olham para nós. »

« Paris é Charlie »

Próximo ao rio Sena, faixas enormes proclamando « Paris é Charlie » e « Charlie Hebdo, cidadão honorário de Paris » ainda flanqueiam o prédio da prefeitura numa declaração ao semanário irreverente e, por vezes, cruel, cujos nove funcionários foram mortos a tiros no dia 7 de janeiro pelos irmãos Cherif e Said Kouachi.

Uma semana depois, a revista foi publicada com uma desafiadora « edição dos sobreviventes », estampando uma caricatura do profeta Maomé na capa. O semanário vendeu milhões de cópias. A base de assinantes de Charlie Hebdo também saltou para 200 mil. Antes dos ataques, essa cifra pouco passava dos 10 mil.Charlie Hebdo Satiremagazin Cover vom 7. Januar

De acordo com a administração da revista, a próxima edição, que deverá ser lançada em 25 de fevereiro, « provavelmente não deverá » conter mais caricaturas do profeta muçulmano.

« É importante que Charlie Hebdo saiba que precisa continuar com sua missão: transmitir informações, fazer rir, dessacralizar e desmitificar », afirmou Alain Veaux, que comprou um exemplar « dos sobreviventes ». « Eu nem sempre concordei com o jornal, mas acho que hoje ele precisa do apoio de todos nós. »

Artigo de http://www.dw.de/

Portugueses realizadores da propaganda do Estado Islâmico?

Foto do líder Nero Saraiva, retirada da sua conta no Twitter

Foto do líder Nero Saraiva, retirada da sua conta no Twitter

Uma investigação do diário britânico “The Sunday Times” indica que terá sido um grupo de portugueses os responsáveis pela realização de alguns vídeos de propaganda terrorista do Estado Islâmico.

Um dos vídeos será a cena macabra da imolação do piloto jordano Maaz al-Kassasbe, difundido dia 3 de Fevereiro.

O jornal britânico afirma que o grupo de cinco portugueses vem de Londres e tem como líder Nero Saraiva, 28 anos, convertido ao Islão, morava na zona este de Londres, onde se radicalizou antes de ir para a Síria em 2012. Será ele um dos responsáveis pela realização dos filmes de decapitação.

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